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Immagine: valor.globo.com

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Mercato 22 ago 2026

Comércio varejista deve fechar 2026 com saldo próximo de zero, na contramão do mercado

O comércio varejista brasileiro, historicamente um dos principais geradores de empregos formais, deve encerrar 2026 com um saldo líquido de vagas próximo de zero. Segundo estimativas da 4intelligence, o setor eliminará cerca de 46 mil postos de trabalho ao longo do ano, um movimento que contraria a expectativa de aquecimento típica do segundo semestre, quando as contratações temporárias de fim de ano costumam impulsionar o mercado.

A projeção acende um alerta para trabalhadores e candidatos que enxergam no varejo uma porta de entrada para o mercado formal. Historicamente, o setor absorve grande contingente de jovens em busca do primeiro emprego e de profissionais com baixa qualificação, funcionando como um termômetro da saúde econômica do país. A redução na criação de vagas pode refletir não apenas a desaceleração da atividade, mas também mudanças estruturais, como a automação de processos e o avanço do e-commerce, que demandam menos mão de obra presencial.

Para Daniel Duque, economista do FGV Ibre, a tendência observada no varejo não é isolada, mas parte de um cenário mais amplo de transformação do mercado de trabalho. O especialista ressalta que setores tradicionais estão passando por uma reconfiguração, com maior exigência de qualificação e adaptação a novas tecnologias. Isso significa que, mesmo quando as vagas surgem, elas podem não atender ao perfil da maioria dos candidatos, criando um descompasso entre oferta e demanda.

Para quem está em busca de emprego no varejo, a recomendação é investir em capacitação e flexibilidade. Habilidades como atendimento ao cliente, operação de sistemas de gestão e logística integrada tornam-se diferenciais. Além disso, é importante considerar que as vagas temporárias de fim de ano, embora ainda existam, podem ser menos numerosas e mais seletivas, com possibilidade de efetivação reduzida.

O cenário também impõe desafios para políticas públicas e para o próprio setor, que precisa encontrar formas de equilibrar produtividade e geração de empregos. A modernização do varejo é inevitável, mas deve ser acompanhada de programas de requalificação profissional para evitar que a tecnologia amplie o desemprego estrutural.

Em resumo, o comércio varejista em 2026 deve oferecer menos oportunidades do que em anos anteriores, mas ainda há espaço para quem se preparar adequadamente. O mercado de trabalho como um todo está em transição, e a capacidade de adaptação será o principal diferencial para os trabalhadores.

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open_in_new Fonte: valor.globo.com